quinta-feira, 11 de agosto de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FunkSoulFusion + Música de Terreiro =


O Trio Mocotó se formou em 1968, sendo a banda da casa da tradicional boate paulista "Jogral". Tocaram com grandes nomes que iam se apresentar ali, como Clementina de Jesus, Nelson do Cavaquinho, Cartola e muitos outros. Grandes nomes internacionais também se apresentaram na Jogral como Duke Ellington, Oscar Peterson e Earl Hines, todos acompanhados pelo Trio Mocotó. Neste período que Jorge Ben fez vários shows na boate, e a identificação musical entre eles levou o Trio Mocotó a se transformar na banda do Jorge Ben e o resultado deste encontro, segundo o Ben, foi a sonoridade que ele tanto buscava, uma espécie de mistura de samba e rock. Quem já ouviu o disco Ben, de 1969, que foi acompanhado em todas as faixas pelo trio, sabe bem do que estou falando.

Em 1970 o Trio já era disputado por vários artistas (vale pesquisar o single "Coqueiro Verde" do Roberto Carlos e Eramos Carlos) e não demorou muito para alcançarem o mundo numa turnê mundial com o Jorge Ben. Ao retornarem ao Brasil foram convidados por Toquinho e Vinícius para serem sua banda base em algumas gravações e numa turnê pela América Latina. Em 1971 é lançado o primeiro Álbum deles, o “Muita Zorra! Ou São Coisas Que Glorificam a Sensibilidade Atual” (Philips), seguido por outro em 73 e mais um em 75. Na metade dos 70 a disco music tira o brilho e a demanda das apresentações ao vivo, e antes mesmo do final da década, sem emprego e no ostracismo, a banda de dissolve.

O primeiro disco, Muita Zorra! é, particularmente, meu disco favorito. Quando se busca o que é dito sobre o Trio Mocotó, o grupo é sempre creditado, junto com Jorge Ben, como os grandes escultores do samba-rock. Na verdade, eles são responsáveis por influenciar os artistas que buscavam uma fusão musical entre os ritmos afro-brasileiros com a música popular gringa, influenciando o trabalho do próprio Jorge Ben. Se eu tivesse que definir eu diria que é um funk de terreiro, ou um soul de gafieira...


Abaixo um raro vídeo no youtube do Trio Mocotó executando "Xamego de Iná", segunda canção do disco:


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Tiro de Misericórdia do João Bosco


João Bosco
é engenheiro de formação, porém desde sua graduação em 72 se dedica a composição musical, se transformando num dos compositores mais aclamados da música nacional. De uma família de músicos, a mãe era uma vionilista, o pai cantor de samba, a irmã uma pianista famosa, e o irmão compositor. Em mais de uma entrevista o compositor credita alguns monstros da música mundial como sua fonte de inspiração: o jazz estadunidense do Miles Davis, a bossa de João Gilberto e Tom Jobom, e o lirismo poético de Vinícius de Moraes.

Eu diria que ele é mais uma dessas entidades da MPB que no final das contas, quase ninguém conhece a discografia. O disco que inspira este post, Tiro de Misericordia de 1973, mostra sua pluralidade ritmica enquanto compositor, seja samba, bolero, bossa nova, pontos de terreiro, mpb, world fusion e outros ritmos. É um desses petárdos pouco lembrados pelos ditos críticos de música. Destaque especial para a música Genesis, que abre o disco e narra o nascimento de Exu (música fruto de sua fértil parceria com Aldir Blanc).


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

1001 discos para ouvir antes de morrer (ou pelo menos 989...)


Já tivemos lista de tudo: vinho, carro, crônicas, poemas, contos eróticos... a indústria editoral há muito descobriu o poder comercial das coletâneas culturais.

Eis que 90 jornalistas e críticos de música (o que não quer dizer muita coisa), se juntaram ano retrasado para lançar o tal 1001 discos para ouvir antes de morrer. Não que eu seja assim muito a favor destas listas que dizem oq a gente tem ler, beber, ouvir, foder... enfim. Mas, como fonte de downloads é imperdível este site aqui. Divirtam-se.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

salve a sabedoria popular

Grande Poder - Mestre Verdelinho



O nosso deus corrige o mundo
pelo seu dominamento sei o que a terra gira
com o seu grande poder
grande poder com o seu grande poder.

a terra deu, a terra dá, a terra cria
homem a terra cria, a terra deu a terra há
a terra voga a terra dá o que tirar
a terra acaba com toda má alegria
a terra acaba com o inseto que a terra cria
nascendo em cima da terra nessa terra há de viver
vivendo na terra que essa terra há de comer
tudo que vive nessa terra
pra essa terra é alimento
deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder
o nosso deus corrige o mundo...

porque no céu a gente vê uma estrelinha
aquela estrela nasce e se põe as 6 horas
quando é de manhã aquela estrela vai embora
tem uma maior e tem outra mais miudinha
tem uma acesa e outra mais apagadinha
seis horas da noite é que pega a aparecer
quando é de manhãzinha ela torna a se esconder
só de noite ela brilha em cima do firmamento
porque deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder
o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento...

o homem aplanta um rebolinho de maniva
aquela maniva com dez dias tá inchada
começa a nascer aquela folha orvalhada
ali vai se criando aquela obra positiva
muito esverdeada, muito linda e muito viva
embaixo cria uma batata que engorda e faz crescer
aquilo dá farinha pra todo mundo comer
e para todas as criaturas vai servir de alimento
deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder.
o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento...



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Os Instantes Superiores da Alma

Os Instantes Superiores da Alma

Os instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe - na solidão -
Quando o amigo - e a ocasião Terrena
Se retiram para muito longe -

Ou quando - Ela Própria - subiu
A um plano tão alto
Para Reconhecer menos
Do que a sua Omnipotência -

Essa Abolição Mortal
É rara - mas tão bela
Como Aparição - sujeita
A um Ar Absoluto -

Revelação da Eternidade
Aos seus favoritos - bem poucos -
A Gigantesca substância
Da Imortalidade

Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

solidão, que poeira leve...

CANÇÃO


Se estou só, queres tu saber:

Pois bem, sim, estou só,

como o avião que voa só e horizontal,

fixado no feixe de rádio,

e atravessa as Montanhas Rochosas,

visando os corredores orlados de azul

de um qualquer aeroporto no oceano.


Se estou só, queres perguntar.

Bem, é claro, só

como uma mulher que atravessa de automóvel o país,

dia após dia, deixando atrás de si,

milha após milha,

cidadezinhas onde poderia ter parado

e vivido e morrido em solidão.


Se estou só

deve ser a solidão

de ser a primeira a despertar, de respirar

o primeiro sopro frio da manhã sobre a cidade,

de ser a única acordada

numa casa envolta em sono.


Se estou só,

é com o barco a remo bloqueado na margem pelo gelo

na derradeira luz vermelha do ano,

e que sabe o que é, que sabe não ser

gelo, nem lama, nem luz de Inverno,

mas madeira, dotada para arder.



Adrienne Rich

Nascida em 1929, foi importante figura do movimento feminista estadunidense.